Acho que descobri por que ainda escrevo aqui.
Achar é o mais longe que podemos ir nesse universo repleto de segredos, sussurros, incompreensões, traumas, sombras, urgências, saudades, desordens emocionais, sentimentos velados, todas essas abstrações que não podemos tocar, pegar nem compreender com exatidão. Mas nos conforta achar que sabemos. (Martha Medeiros)
sexta-feira, 25 de junho de 2021
quinta-feira, 10 de junho de 2021
Devaneios pandêmicos #6
Vem chegando o dia dos namorados e meu ex, o cara que:
- fez pose zoando do cartaz "Amor não tem cor" em 2019
- tava usando capulana de parzinho ano passado
- me ganhou com uma boa conversa sobre Fanon
Vai postar fotinho com a namorada branca.
87 tipos de gatilhos diferentes são disparados.
Mas enfim....
Fazer o que se ele pulou o capítulo 3?
Da parte mais negra de minha alma, através da zona de meias-tintas, me vem esse desejo repentino de ser branco.
Não quero ser reconhecido como negro, e sim como branco.
Sou um branco.
Seu amor abre-me o ilustre corredor que conduz à plenitude...
Esposo a cultura branca, a beleza branca, a brancura branca.
Nestes seios que minhas mãos onipresentes acariciam, é da civilização branca que me aproprio.
Há cerca de 30 anos um negro, da mais bela pele negra, em plena cópula com uma branca incendiária no momento do orgasmo gritou: "Viva Schoelcher!" Ora, quando se sabe que foi Schoelcher quem fez com que a IIIª República decretasse a abolição da escravatura, então é evidente que é preciso falar mais longamente das relações possíveis entre o negro e a branca.
FANON, Franz. Pele negra, máscaras brancas. p. 69.
domingo, 6 de junho de 2021
Devaneios pandêmicos #5
Fazer tatuagem é uma coisa perigosa.
Tu termina uma já pensando na outra!
Eu tava ensaiando tatuar outro Adinkra desde 2018, no final de 2019 até tinha a grana, mas como tava chegando o verão, a possibilidade de ir pra praia não permitiu.
Em 2020 nem preciso dizer por que não rolou né...
Mas em 2020 outro desenho gritou pra mim. Precisava desenhar mais um agradecimento à Yemanjá na pele.
Eu precisei muito em 2020 e sei que ela tava comigo.
E é exatamente a este significado que o Aya está associado: alguém que passou por grandes desafios e venceu cada um deles, alguém que é capaz de florescer nos solos mais áridos. O símbolo também traz em si a ideia de coragem e ousadia, independente das circunstâncias.
quarta-feira, 2 de junho de 2021
Devaneios pandêmicos #4
Ouço essa música ao menos uma vez por dia há uns 6 meses.
Por que eu achei que não dava mais pra renascer.
Mas eu vou.
sexta-feira, 28 de maio de 2021
Jane Austen: a saga
quarta-feira, 26 de maio de 2021
Devaneios pandêmicos #3
Compartilhando uma dica de válvula de escape para esses tempos insanos: podcasts.
Na metade do ano passado comecei a ouvir o Afetos Podcast, que é uma delícia! E fala realmente de afetos, de todos tipos e questões muito bem conduzidas por Gabi Oliveira e Karina Vieira.
Inclusive escrevo essas dicas aqui inspirada pelo último episódio que ouvi sobre válvulas de escape. O episódio sobre Terapia e Saúde Mental me bateu de um jeito diferente, e quando ouvi O poder da vulnerabilidade confesso que chorei.
Em vários momentos parece que as gurias leem meus pensamentos. É realmente muito bom❤
E foi ouvindo o Afetos que soube da existência do Não inviabilize, e um novo vício me tomou!! Nem sei definir bem, mas o Não Inviabilize tem fofoca com responsabilidade hahahahahah
A Deia recebe histórias reais e transforma em contos curtos e deliciosos de ouvir de todos os tipos: tem história pra rir, pra chorar, pra se indignar e pra se assustar. Eu maratonei o que tinha disponível no Spotify e em fevereiro entrei definitivamente para a comunidade no Apoia-se e tenho pelo menos um Picolé de Limão pra ouvir por semana (e pra alegria da mulher trabalhadora por módicos 8 pilas!!)
APENAS AMO! Recomendo fortemente!
A grande dica é: sobreviva a essa pandemia e a esse governo!!
segunda-feira, 24 de maio de 2021
Devaneios pandêmicos #2
Depois da minha separação reaprendi a gostar de ficar sozinha.
Mas na pandemia isso tem sido um incômodo.
sábado, 22 de maio de 2021
Devaneios pandêmicos #1
Estamos em maio de 2021 e vivenciando o 2º ano pandêmico.
Em março de 2020 iniciou-se um processo de isolamento social por conta de uma epidemia de um tipo de coronavírus, o COVID-19. O vírus começou a circular na Ásia em novembro/dezembro de 2019 e se tornou uma pandemia em março de 2020.
Em março as recomendações de quarentena aumentaram e a gente achou que ia durar uns 40 dias mesmo. Já estamos nessa merda há séculos.
Eu passei a trabalhar em casa em 18/03/2020. Teodoro nessa mesma semana também começou as aulas remotas.
Tudo mudou. Rotina alterada. A casa passa ser o único lugar de existir.
E eu passei por vários processos nesse período, mas o mais marcante é a desesperança. É o mais terrível também.
Olhando ao redor só consigo sentir que falhamos como humanidade, sabe?
Sei lá, quis compartilhar aqui esse devaneio.
segunda-feira, 26 de abril de 2021
Olá Blogosfera!!
Eis que chegamos em 2021 e alguém fez um comentário aqui nesse blog.
E eu que achei que esse universo aqui tinha sido implodido ainda persiste.
Quando criei esse blog, lá em 2011, era a possibilidade de "conversar" com as pessoas, e hoje esse espaço acabou sendo engolido pelas redes sociais.
Mas confesso que gosto daqui. Tenho mais espaço para divagar.
Então, tá decidido: voltei a escrever aqui.
Tem vários textos nos rascunhos e vou começar por lá. Ou não.
E essa é a vantagem: aqui não tenho limite de caracteres e nem preocupação com quem vai ou não vai me ler.
Vou aproveitar!
quinta-feira, 18 de outubro de 2018
Solteira e mãe: e agora?
Postei algumas fotos minhas com meu boy magia e meu filho, e também já fomos vistos em trio por aí, e algumas amigas, principalmente as solteiras e mães, comentaram e mandaram mensagens curtindo a ideia e também lamentando o quanto é difícil encarar um relacionamento quando temos filhos.
E eu me pus a pensar....
Primeiro pensamento: por que somos "obrigadas" a ser """cuidadosas"""?
O pai do Teodoro levou menos de 15 dias pós separação pra apresentar a nova namorada pra ele e não lembro de ninguém se preocupar com isso. Geral preferiu catar suposta traição e querer minha opinião...
Sobre o Téo? Nenhuma linha.
Ok, sabemos a resposta: cultura machista monitora mulheres..... enfim...
A questão que passei a pensar é como a gente se liberta disso. Temos direito de viver vida de gente adulta mesmo sendo mães.
Mas como???
Vou contar a minha estratégia, por que muitas me perguntaram. Sei que não estou totalmente livre, mas escolhi alguns caminhos pra me levar lá.
Passo 1: não banque o ser assexuado pras suas crias.
Obviamente, as crias não precisam ser confidentes tuas, mas eles precisam estar cientes de que sim, mamãe gosta de companhia de adultos e beija na boca também.
É algo sutil, mas necessário.
O Teodoro sabe até alguns nomes de crush, por que ele é muito ligado e pesca as conversas. E sempre que perguntou "quem é fulano?" respondi com sinceridade: "é crush da mamãe" ou "um cara que a mamãe tá saindo "
Ele não precisa dos detalhes, só precisa saber que eu amo ele, mas tenho uma vida separada da dele.
Passo 2: reserve um tempo pra você.
Esse é o desafio maior de qualquer mãe.
Perdi as contas de quantas vezes meu sonho de princesa se resumiu a cagar sozinha!
Abandone a culpa de deixar a cria com Pai/Vó/Dinda/Tia/Babá e fique sozinha.
Saia pra encher a cara ou vá na missa! Não importa. Faça algo sem a cria.
É bom pra ambos.
Os pequenos precisam ter confiança que a Mamãe vai voltar, que a Mamãe sempre estará lá, que a Mamãe ama de longe também.
Não vai ser fácil no início. Eu lembro até hoje da primeira refeição que fiz sem o Téo: como assim comida quente??? Não precisar cortar carne de ninguém foi bem estranho.
Mas foi libertador.
Passo 3: sim, você é um kit. Assuma esse fato e não peça desculpa por ser mãe.
Não tem como fingir que você não tem filhos, isso é fato da tua vida e qualquer pessoa que queira fazer parte da tua vida tem que encarar isso.
Vai ter dias que tu não vai poder sair por que a cria tá em casa, aquela viagem de feriado tem que ser planejada (se não em trio com quem deixa a cria?), tu vai ir em reuniões na escola depois do trabalho, ou vai buscar o adolescente numa festa no meio da madrugada. E tua parceria tem que saber disso e lidar com essa atenção dividida.
E quando digo encarar não estou incentivando ninguém a suportar relacionamento por causa de filhx. De um lado e nem de outro.
Nem você mãe precisa buscar alguém pra ser pai/mãe pras suas crias ou você que chegou na família tem que "assumir filhx dos outros".
Estamos falando de relacionamento afetivo entre adultos: o mais importante é o afeto e o amor entre os adultos.
MAAAASSSS
O jeito que o/a cara lida com teus filhxs serve pra conhecer o caráter da pessoa.
Uma pessoa que não consegue entender o espaço que tuas crias ocupam na tua vida, sejam elas crianças ou não, é alguém que muito provavelmente não vale a pena.
E não se trata de "instinto materno", trata-se de sinais de abuso e precisamos estar atentas.
Como pode alguém que te ama, te quer por perto, é gentil e tals não considerar uma parte de ti???
É normal mudar agenda quando nos envolvemos com alguém, balada trocada por sexo e Netflix quem nunca, mas se as programações excluem cada vez mais as pessoas importantes do teu círculo, fique atenta.
O boy achar melhor vocês sairem juntos sem a cria é normal, tu também prefere as vezes, mas se o cara some nos findis que a cria está em casa ou nunca inclui teus filhxs nos planos, abre o olho.
Sim, esse boy não te ama e nunca vai amar.
Ele quer mostrar poder e ter controle.
Tu precisa do teu lado uma pessoa que não te enxerga como alguém com paixões e interesses diferentes das que ela espera?
"Ah, mas ele não é obrigado a aguentar o filho dos outros!"
Não mesmo, mas estamos falando dx filhx de quem essa pessoa diz amar/querer, não é "dos outros". Se tua parceria não é capaz de enxergar com ternura e respeito a tua relação com tuas crias, você está diante de um egoísta, e é esse tipo de relação que te faz feliz? Depois de criar filhx sozinha, ou se separar, ou ter uma produção independente tu precisa de uma parceria que desconsidera tudo isso? Ou que se acha mais importante de que tudo que tu construiu?
Sim, você é um kit, e um kit que merece amor e respeito.
Passo 4: sua cria é sua responsabilidade.
Ter alguém pra dividir tarefas e ajudar num perengue é ótimo, mas não se esqueça de que o filho/a é teu.
Quem tem que seguir educando e intervindo nos comportamentos é tu, e o pai/mãe da criança.
Digo isso por que tenho visto muita gente "desobrigando" pai/mãe por conta da presença do padrasto/madrasta, e isso é muito prejudicial pras crias.
É ótimo que o recém chegadx seja bom padrastro/madrasta, mas não estamos numa "competição de amor", trata-se de aprendizado de responsabilidade. Quero que o Teodoro saiba que no futuro, se ele tiver filhxs a responsabilidade sobre as crianças são dele independente da relação que ele tenha com a mãe/pai da cria, e que os relacionamentos podem acabar com respeito.
A gente ensina mais pelo exemplo do que pelo discurso.
Outra questão que deriva dessa: a criança tem que respeitar o recém chegado, afinal é um mais velho e esse é um valor importante. Mas o recém chegado também tem que saber que pegou o trabalho andando e que algumas regras precisam ser respeitadas. No caso das crianças pequenas, as rotinas e hábitos precisam ser mantidas, e se a mãe/pai disse "não pode" isso tem que ser respeitado.
Esse geralmente é um ponto de conflito entre o casal, e aqui mais uma vez é bom lembrar: o desejo de ter uma nova família não pode se sobrepor ao projeto de educação que tu fez pras tuas crias. Respira fundo e avalia: uma alteração de rota pode ser importante, mas mudar completamente o rumo é necessário?
Tu te sente confortável com essas interferências?
Sinta e ouça o teu coração.
Passo 5: não tem lei nenhuma que impeça de apresentar seu namoradx/crush/amante/amor para suas crias.
Se tem uma coisa que se reproduz muito nesse mundo é gente desocupada que se ocupa da vida alheia.
Então se tu decidir apresentar teu novo amor no primeiro dia ou depois de 1 ano vai ouvir críticas. Vai apresentar os amores passageiros ou só relacionamento sério, vai ouvir críticas. Decidiu que o amor só dorme em casa se a cria não está ou colocou a cria a dormir no meio, vai ouvir críticas. Não tem jeito.
Melhor saída: faça como e quando se sentir confortável. E ponto.
Quem tem que estar bem com essa decisão é tu e as crias, o resto é opinião pura e simples.
A casa é tua, as crias são tua e o relacionamento é teu. Ouça as opiniões de coração aberto (quem te ama merece ser ouvido), mas a decisão tem que ser pra fazer a família feliz.
E ouça as crias, mesmo bem pequenos eles têm que participar, e são importantes na tua felicidade. Confie na sua percepção: sabemos quase que pelo cheiro quando as crias estão só de birra ou de fato desconfortáveis com algo. Ouça, veja e sinta. A tua harmonia com as tuas crias são pilares da tua saude mental e deles também.
O último e mais importante passo: Ouça, sinta e permita-se ser feliz!!
Bjs!!
(Epifania de aeroporto... horas de espera podem ser boas.... perdoem a falta de revisão, escrevi no celular😉)

















