Achar é o mais longe que podemos ir nesse universo repleto de segredos, sussurros, incompreensões, traumas, sombras, urgências, saudades, desordens emocionais, sentimentos velados, todas essas abstrações que não podemos tocar, pegar nem compreender com exatidão. Mas nos conforta achar que sabemos. (Martha Medeiros)
sexta-feira, 28 de maio de 2021
Jane Austen: a saga
quarta-feira, 26 de maio de 2021
Devaneios pandêmicos #3
Compartilhando uma dica de válvula de escape para esses tempos insanos: podcasts.
Na metade do ano passado comecei a ouvir o Afetos Podcast, que é uma delícia! E fala realmente de afetos, de todos tipos e questões muito bem conduzidas por Gabi Oliveira e Karina Vieira.
Inclusive escrevo essas dicas aqui inspirada pelo último episódio que ouvi sobre válvulas de escape. O episódio sobre Terapia e Saúde Mental me bateu de um jeito diferente, e quando ouvi O poder da vulnerabilidade confesso que chorei.
Em vários momentos parece que as gurias leem meus pensamentos. É realmente muito bom❤
E foi ouvindo o Afetos que soube da existência do Não inviabilize, e um novo vício me tomou!! Nem sei definir bem, mas o Não Inviabilize tem fofoca com responsabilidade hahahahahah
A Deia recebe histórias reais e transforma em contos curtos e deliciosos de ouvir de todos os tipos: tem história pra rir, pra chorar, pra se indignar e pra se assustar. Eu maratonei o que tinha disponível no Spotify e em fevereiro entrei definitivamente para a comunidade no Apoia-se e tenho pelo menos um Picolé de Limão pra ouvir por semana (e pra alegria da mulher trabalhadora por módicos 8 pilas!!)
APENAS AMO! Recomendo fortemente!
A grande dica é: sobreviva a essa pandemia e a esse governo!!
segunda-feira, 24 de maio de 2021
Devaneios pandêmicos #2
Depois da minha separação reaprendi a gostar de ficar sozinha.
Mas na pandemia isso tem sido um incômodo.
sábado, 22 de maio de 2021
Devaneios pandêmicos #1
Estamos em maio de 2021 e vivenciando o 2º ano pandêmico.
Em março de 2020 iniciou-se um processo de isolamento social por conta de uma epidemia de um tipo de coronavírus, o COVID-19. O vírus começou a circular na Ásia em novembro/dezembro de 2019 e se tornou uma pandemia em março de 2020.
Em março as recomendações de quarentena aumentaram e a gente achou que ia durar uns 40 dias mesmo. Já estamos nessa merda há séculos.
Eu passei a trabalhar em casa em 18/03/2020. Teodoro nessa mesma semana também começou as aulas remotas.
Tudo mudou. Rotina alterada. A casa passa ser o único lugar de existir.
E eu passei por vários processos nesse período, mas o mais marcante é a desesperança. É o mais terrível também.
Olhando ao redor só consigo sentir que falhamos como humanidade, sabe?
Sei lá, quis compartilhar aqui esse devaneio.
segunda-feira, 26 de abril de 2021
Olá Blogosfera!!
Eis que chegamos em 2021 e alguém fez um comentário aqui nesse blog.
E eu que achei que esse universo aqui tinha sido implodido ainda persiste.
Quando criei esse blog, lá em 2011, era a possibilidade de "conversar" com as pessoas, e hoje esse espaço acabou sendo engolido pelas redes sociais.
Mas confesso que gosto daqui. Tenho mais espaço para divagar.
Então, tá decidido: voltei a escrever aqui.
Tem vários textos nos rascunhos e vou começar por lá. Ou não.
E essa é a vantagem: aqui não tenho limite de caracteres e nem preocupação com quem vai ou não vai me ler.
Vou aproveitar!
quinta-feira, 18 de outubro de 2018
Solteira e mãe: e agora?
Postei algumas fotos minhas com meu boy magia e meu filho, e também já fomos vistos em trio por aí, e algumas amigas, principalmente as solteiras e mães, comentaram e mandaram mensagens curtindo a ideia e também lamentando o quanto é difícil encarar um relacionamento quando temos filhos.
E eu me pus a pensar....
Primeiro pensamento: por que somos "obrigadas" a ser """cuidadosas"""?
O pai do Teodoro levou menos de 15 dias pós separação pra apresentar a nova namorada pra ele e não lembro de ninguém se preocupar com isso. Geral preferiu catar suposta traição e querer minha opinião...
Sobre o Téo? Nenhuma linha.
Ok, sabemos a resposta: cultura machista monitora mulheres..... enfim...
A questão que passei a pensar é como a gente se liberta disso. Temos direito de viver vida de gente adulta mesmo sendo mães.
Mas como???
Vou contar a minha estratégia, por que muitas me perguntaram. Sei que não estou totalmente livre, mas escolhi alguns caminhos pra me levar lá.
Passo 1: não banque o ser assexuado pras suas crias.
Obviamente, as crias não precisam ser confidentes tuas, mas eles precisam estar cientes de que sim, mamãe gosta de companhia de adultos e beija na boca também.
É algo sutil, mas necessário.
O Teodoro sabe até alguns nomes de crush, por que ele é muito ligado e pesca as conversas. E sempre que perguntou "quem é fulano?" respondi com sinceridade: "é crush da mamãe" ou "um cara que a mamãe tá saindo "
Ele não precisa dos detalhes, só precisa saber que eu amo ele, mas tenho uma vida separada da dele.
Passo 2: reserve um tempo pra você.
Esse é o desafio maior de qualquer mãe.
Perdi as contas de quantas vezes meu sonho de princesa se resumiu a cagar sozinha!
Abandone a culpa de deixar a cria com Pai/Vó/Dinda/Tia/Babá e fique sozinha.
Saia pra encher a cara ou vá na missa! Não importa. Faça algo sem a cria.
É bom pra ambos.
Os pequenos precisam ter confiança que a Mamãe vai voltar, que a Mamãe sempre estará lá, que a Mamãe ama de longe também.
Não vai ser fácil no início. Eu lembro até hoje da primeira refeição que fiz sem o Téo: como assim comida quente??? Não precisar cortar carne de ninguém foi bem estranho.
Mas foi libertador.
Passo 3: sim, você é um kit. Assuma esse fato e não peça desculpa por ser mãe.
Não tem como fingir que você não tem filhos, isso é fato da tua vida e qualquer pessoa que queira fazer parte da tua vida tem que encarar isso.
Vai ter dias que tu não vai poder sair por que a cria tá em casa, aquela viagem de feriado tem que ser planejada (se não em trio com quem deixa a cria?), tu vai ir em reuniões na escola depois do trabalho, ou vai buscar o adolescente numa festa no meio da madrugada. E tua parceria tem que saber disso e lidar com essa atenção dividida.
E quando digo encarar não estou incentivando ninguém a suportar relacionamento por causa de filhx. De um lado e nem de outro.
Nem você mãe precisa buscar alguém pra ser pai/mãe pras suas crias ou você que chegou na família tem que "assumir filhx dos outros".
Estamos falando de relacionamento afetivo entre adultos: o mais importante é o afeto e o amor entre os adultos.
MAAAASSSS
O jeito que o/a cara lida com teus filhxs serve pra conhecer o caráter da pessoa.
Uma pessoa que não consegue entender o espaço que tuas crias ocupam na tua vida, sejam elas crianças ou não, é alguém que muito provavelmente não vale a pena.
E não se trata de "instinto materno", trata-se de sinais de abuso e precisamos estar atentas.
Como pode alguém que te ama, te quer por perto, é gentil e tals não considerar uma parte de ti???
É normal mudar agenda quando nos envolvemos com alguém, balada trocada por sexo e Netflix quem nunca, mas se as programações excluem cada vez mais as pessoas importantes do teu círculo, fique atenta.
O boy achar melhor vocês sairem juntos sem a cria é normal, tu também prefere as vezes, mas se o cara some nos findis que a cria está em casa ou nunca inclui teus filhxs nos planos, abre o olho.
Sim, esse boy não te ama e nunca vai amar.
Ele quer mostrar poder e ter controle.
Tu precisa do teu lado uma pessoa que não te enxerga como alguém com paixões e interesses diferentes das que ela espera?
"Ah, mas ele não é obrigado a aguentar o filho dos outros!"
Não mesmo, mas estamos falando dx filhx de quem essa pessoa diz amar/querer, não é "dos outros". Se tua parceria não é capaz de enxergar com ternura e respeito a tua relação com tuas crias, você está diante de um egoísta, e é esse tipo de relação que te faz feliz? Depois de criar filhx sozinha, ou se separar, ou ter uma produção independente tu precisa de uma parceria que desconsidera tudo isso? Ou que se acha mais importante de que tudo que tu construiu?
Sim, você é um kit, e um kit que merece amor e respeito.
Passo 4: sua cria é sua responsabilidade.
Ter alguém pra dividir tarefas e ajudar num perengue é ótimo, mas não se esqueça de que o filho/a é teu.
Quem tem que seguir educando e intervindo nos comportamentos é tu, e o pai/mãe da criança.
Digo isso por que tenho visto muita gente "desobrigando" pai/mãe por conta da presença do padrasto/madrasta, e isso é muito prejudicial pras crias.
É ótimo que o recém chegadx seja bom padrastro/madrasta, mas não estamos numa "competição de amor", trata-se de aprendizado de responsabilidade. Quero que o Teodoro saiba que no futuro, se ele tiver filhxs a responsabilidade sobre as crianças são dele independente da relação que ele tenha com a mãe/pai da cria, e que os relacionamentos podem acabar com respeito.
A gente ensina mais pelo exemplo do que pelo discurso.
Outra questão que deriva dessa: a criança tem que respeitar o recém chegado, afinal é um mais velho e esse é um valor importante. Mas o recém chegado também tem que saber que pegou o trabalho andando e que algumas regras precisam ser respeitadas. No caso das crianças pequenas, as rotinas e hábitos precisam ser mantidas, e se a mãe/pai disse "não pode" isso tem que ser respeitado.
Esse geralmente é um ponto de conflito entre o casal, e aqui mais uma vez é bom lembrar: o desejo de ter uma nova família não pode se sobrepor ao projeto de educação que tu fez pras tuas crias. Respira fundo e avalia: uma alteração de rota pode ser importante, mas mudar completamente o rumo é necessário?
Tu te sente confortável com essas interferências?
Sinta e ouça o teu coração.
Passo 5: não tem lei nenhuma que impeça de apresentar seu namoradx/crush/amante/amor para suas crias.
Se tem uma coisa que se reproduz muito nesse mundo é gente desocupada que se ocupa da vida alheia.
Então se tu decidir apresentar teu novo amor no primeiro dia ou depois de 1 ano vai ouvir críticas. Vai apresentar os amores passageiros ou só relacionamento sério, vai ouvir críticas. Decidiu que o amor só dorme em casa se a cria não está ou colocou a cria a dormir no meio, vai ouvir críticas. Não tem jeito.
Melhor saída: faça como e quando se sentir confortável. E ponto.
Quem tem que estar bem com essa decisão é tu e as crias, o resto é opinião pura e simples.
A casa é tua, as crias são tua e o relacionamento é teu. Ouça as opiniões de coração aberto (quem te ama merece ser ouvido), mas a decisão tem que ser pra fazer a família feliz.
E ouça as crias, mesmo bem pequenos eles têm que participar, e são importantes na tua felicidade. Confie na sua percepção: sabemos quase que pelo cheiro quando as crias estão só de birra ou de fato desconfortáveis com algo. Ouça, veja e sinta. A tua harmonia com as tuas crias são pilares da tua saude mental e deles também.
O último e mais importante passo: Ouça, sinta e permita-se ser feliz!!
Bjs!!
(Epifania de aeroporto... horas de espera podem ser boas.... perdoem a falta de revisão, escrevi no celular😉)
quinta-feira, 14 de junho de 2018
Sobre o que eu NÃO quero
Faz algum tempo que estou solteira e ultimamente parece que esse fato tem incomodado algumas pessoas.
Eu no caso, nem tô.
Mas como quase tudo na minha vida vira reflexão, parei pra pensar em por quê as pessoas querem tanto me arranjar um par e se preocupam em buscar razões para minha solteirice.
Maior parte traz uma visão de que eu sou tão legal que mereço uma boa companhia.
O que esquecem no caso é que boa companhia pode ser eu mesma.
Mas tá, eu sou bem legal mesmo e entendo o ponto de vista. Fico até feliz por que a pessoa de um jeito meio torto tem carinho por mim....
Talvez o que maioria não saiba é que já sei o que não quero, e isso é libertador, e ao mesmo tempo complicador.
Cheguei numa etapa da vida em que sei muito bem as coisas que não quero pra minha vida, pois sei que esses "pormenores" roubarão minha paz. Paz essa conquistada com muito choro e riso, e portanto, um bem muito precioso.
Pensando em tudo isso, comecei a anotar as coisas que me tiram a paz e o tesão. (o tesão principalmente...)
Depois de alguns rascunhos, organizei os pensamentos em lista (mania já...) que aqui chamaremos de lista do Não Quero!
Primeira questão que se coloca: e por que não listar o que eu quero???
Pelo simples fato de que eu quero muitas coisas e tem coisas que nem sei se quero por que não experimentei.
A verdade é que estou aberta para ser surpreendida e arrebatada, mas esse arrebatamento não vem.... e por que não vem??
Deu pra perceber que pensei horrores sobre o tema né? Kkkkk
Nesse mar de porquês, comecei a pensar nas coisas que me brocham instantaneamente e impedem o arrebatamento.
Muitos me encantaram nessa última temporada, mas o balde de água fria tem sido muito gelado. Falta o arrebatamento. Condição fundamental para compartilhar uma vida com alguém.
Então vamos passar a limpo a listinha que ficou no bloco de notas do celular por uns dois meses!!
O que eu NÃO quero de um potencial parceiro.
1 - Não quero ser silenciada.
É uma violência muito comum e só aqui fico com ZERO crushs na conta. Não conheço nenhum homem capaz de me ouvir contar alguma coisa, das mais banais descrições do cotidiano aos relatos de livros fodas que tenho lido, sem que eu seja interrompida com frases tipo "mas eu fiz...", "e eu que....". Ou que após ouvir """atentamente""" o que eu disse sejam capazes de repetir uma única frase dita (nem vou exigir que compreendam...).
A realidade é que hoje, só consigo manter algum contatinho e fazer sexo por que abstraio e me finjo de louca. Deixo pra ter conversas boas e alegres com amigas e amigos.
Preciso continuar?? Kkkkk
Tá, mas vou.
2 - Não quero alguém que admire apenas minha bunda.
Tenho uma bunda linda, é fato. Na real tenho um corpo confortável e lindo. Sei disso, estou muito bem instalada aqui dentro e até que é bom ouvir isso. Mas se não for capaz de admirar minha mente brilhante e a minha companhia nem vem.
3 - Não quero participar de joguinhos de desinteresse.
Definitivamente não tenho o mínimo saco para quem disfarça interesse. Principalmente por que esse esforço em disfarçar um desejo e/ou sentimento revela o óbvio: covardia. Não tenho tempo pra covardia. Se tá curtindo minha companhia vamos sair e se divertir. Vamos se beijar, tomar cerveja e fazer sexo. Fazemos isso hoje e amanhã se tivermos vontade. Se no domingo a vontade desaparecer a gente não faz e pronto. Fazer joguinho de desinteresse com a desculpa esfarrapada de que "não quero me envolver" é de um narcisismo irritante. Quem te disse que a pessoa do outro lado quer casar contigo?
Em resumo: falso desinteresse e covardia me brocham.
4 - Não quero estar sozinha num relacionamento.
Não preciso de um companheiro no sentido utilitarista do termo. Preciso de boa companhia, alguém pra dividir umas loucuras e a conta do bar. Vejo manas enfiadas em relacionamentos só pra alterar o status no Facebook, sem que aquele relacionamento reverta em bem estar, orgasmos e sorrisos. E isso não quero de jeito nenhum. Pego minha solteirice e vou embora!
5 - Não quero os pioneiros.
Nem sei como descrever esse ponto. É o que mais me irrita e brocha. Muito. Sério. Aaaarrrggggghhh
É assim: tudo que a pessoa faz ela foi a primeira, seja em Porto Alegre ou no rolê, e as vezes no mundo t-o-d-o. Conheci nesses dois anos os pioneiros em todas as coisas possíveis: o primeiro a usar dread, o primeiro a ouvir trap, o primeiro a ouvir determinada banda de pagode (antes de serem famosos, obviamente), o primeiro a usar calça rasgada, o primeiro a jogar tal esporte, o primeiro a não achar a ex uma louca (sim teve esse), o primeiro a usar boné aba reta, o primeiro a jogar poker/futebol americano/handebol/basquete, o primeiro a postar vídeos no YouTube, e etc....
Muitos desses pioneiros são tão pioneiros que lançaram moda antes mesmo de nascer!
Ouvi de um guri de 20 e poucos anos que antes dele ninguém ouvia samba rock em POA e fui obrigada a perguntar: PORRA! Até o Bedeu te copiou?? E ele: "Provavelmente". (faltou espaço nas minhas órbitas oculares pros meus olhos virarem...)
TEM DÓ!!! Será que dói ser apenas uma pessoa que admira tal coisa sem que aquilo seja "louvável"???
Já deu pra perceber que pra mim tá difícil lidar com macho quer biscoito, né?
Tu tem um ótimo gosto musical? Me mostra as tuas músicas prediletas, me chama pra dançar o teu melhor balanço.
Tu é ótimo no teu esporte? Me chama pra te assistir jogar, me fala sobre as estatísticas e regras.
Mostre não faça propaganda narcisista. Posso te admirar pelo que tu faz, pelo que tu gosta, mas nunca pelo o """pioneirismo""".
6 - Não quero os discretos.
Já fui escondida por muito macho na vida pra abrir mão de beijo na boca e mão na cintura em público. Gosto de carinho e não preciso me esconder: sou uma mulher solteira. Posso sair hoje com um e amanhã com outro. E se decidir fazer isso é por que quero e me dedico igual. Já disse que fazer joguinho não é comigo né?
Então se não for pra me beijar e tocar sempre que der vontade, seja em casa ou no trem, nem vem.
E também se não tem vontade, nem vem.
Sabe o beije a sua preta em praça pública?? Sou adepta.
7 - Não quero casar.
Por incrível que pareça o mundo masculino é tão egocêntrico que se tu demonstra interesse eles correm por que tu tá querendo "prender", mas se tu deixa bem nítido no início que não tem essa pretensão de vida a mágoa pode ser notada no olhar "Como assim tu não me ama loucamente e não precisa de mim?"
Eu não estou procurando um casamento, o que não significa que estou fechada a essa possibilidade.
Fico irritada com a incapacidade de muitos machos de entender essa diferença. Minha meta de vida não é casar, isso não significa que eu não possa casar ou amar alguém.
8 - Não quero os palmiteiros.
Homens negros que em pleno 2018 acham que só pegam mulher branca "por gosto" não merecem meu sorriso negro. Sério.
O que mais passa pela minha mão são pretos que namoram mulheres brancas, são tratados como boy-toys e reclamam das pretas. Cansei.
Aturam sogras racistas, piadinhas dos amigos das namoradas e sofrem calados em nome de uma masculinidade tóxica e racista. São os "nigga de estimação" das festinhas da CB e acham que tão arrasando.
Tô fora. Pego meu Fanon e vou embora.
9 - Não quero ser "mulata ostentação" de omi branco.
Se não quero os palmiteiro, dos brancos desconstruídos namastê gratidão amiguinhos dos nigga quero distância náutica!
Já passei por alguns brancos na vida e ser hipersexualizada e transformada em bibelô não tá mais nos meus planos. Um homem que não entende o que é ser negrx nesse país e acha que o Sargenteli é herói não me pega mais. Nem pra dar as horas.
10 - Por último mas não menos importante: se você que se entende como um crush meu, ler tudo isso e achar qualquer um desses itens listados aqui, um exagero, coisa de feminista, coisa de louca, ou ao ler estas linhas em algum momento pensou "assim ela nunca vai conseguir ninguém" me exclui do Whats.
Bjs de luz!!!
quinta-feira, 26 de abril de 2018
Levei um bolo, mas fiz um café e comi!
sexta-feira, 26 de janeiro de 2018
A Corte do Carnaval de Porto Alegre e o desmonte do Carnaval....
terça-feira, 7 de novembro de 2017
Sobre fins e recomeços e mudanças e afins
E um dia ele chegou em casa e disse que ia embora.
Daquele sábado normal de novembro de 2015 até agora muitas coisas se passaram. Minha vida teve que mudar radicalmente de rumo, meus planos que eram sempre no plural (eu + ele) passaram a contar apenas com a minha soberana vontade.
Isso é necessariamente ruim? Não, não mesmo. Mas é doloroso quando é forçado.
Uma das questões que mais me intrigam até agora é que, quase dois anos se passaram e muitas pessoas (muitas mesmo) seguem me indagando e comentando coisas do tipo:
- Não tem chance de vocês voltarem? (e suas variações...)
- Mas que coisa horrível! Vocês eram ótimos juntos, uma hora se acertam.
- Ele é pai do teu filho né? Então sempre fica alguma coisa...
- Tu ainda sente falta dele?
- O que tu aprontou?
Minhas respostas vão de grunidos, passando por "ah tá!" de desprezo chegando a grandes debates. Tudo depende de quem pergunta.
Explico:
- Não tem chance de vocês voltarem? (e suas variações...)
Afinal, o estado normal é estar junto, não interessa saber por que acabou, se tem alguém ferido ou coisa que o valha.
- Mas que coisa horrível! Vocês eram ótimos juntos, uma hora se acertam.
Aqui esconde-se a ideia de que alguém cometeu um erro e logo será perdoado e as coisas voltarão para o normal (normal = juntos de novo)
- Ele é pai do teu filho né? Então sempre fica alguma coisa...
A relação entre marido e mulher, pai e mãe mais uma vez sendo misturada e jogada junto com a criança na água do banho. Se ele é pai do meu filho, eu tenho que automaticamente perdoar/entender/compreender/satisfazer/amar e etc... e, portanto, buscar a volta à normalidade (normal = juntos)
- Tu ainda sente falta dele?
Essa sempre vem quando o interlocutor ou interlocutora "descobrem" que eu não tenho namorado. Se eu não substitui rapidamente a peça que me falta, é por que a antiga me faz falta. Sou um ser incompleto sem um homem por perto. [*olhos revirando ao infinito*]
- O que tu aprontou?
Essa parte de pessoas que nos conheciam, e logo, por saberem de nossas diferenças de personalidade (nossa! que novidade!), basicamente, eu a extrovertida, mandona e questionadora e ele o gentil, educado e sábio, deduzem logicamente, que EU fiz alguma coisa que desagradou o santo homem. Aqui temos pitadas de um machismo universal e cansativo também.
Mas percebam: DOIS ANOS depois e as pessoas seguem uma única lógica: eu não posso viver sem marido.
Não penso nisso muitas vezes, mas toda vez que tenho que responder essas e outras questões correlatas essa reflexão se faz em mim... E como tudo que penso gosto de escrever, uso esse meu diário online pra pensar.
A primeira coisa que penso é: porque essas indagações me incomodam tanto? Se já faz tanto tempo e tudo está onde deveria estar, por que me incomoda?
Se tem uma vantagem que o decorrer do tempo tem é nos dar a distância necessária para refletir sobre algumas coisas. Pra mim, hoje está muito nítido que boa parte do meu sofrimento se deu pela forma desrespeitosa como o final do meu relacionamento se deu. Não houve agressão física, talvez tenha havido uma traição (mas tô cagando pra isso), mas a violência envolvida foi a psicológica. A mais dolorida e extensa de todas.
Então cada vez que alguém pergunta sobre o fim do relacionamento insinuando que de alguma forma eu pretendo, no mais profundo do meu ser, que ele seja retomado, revivo aquele fim.
Vou tentar explicar.
Meu ex-marido deixou de me amar. Era (e é) um direito que ele e todos os seres humanos nessa terra têm. Várias coisas no nosso relacionamento (soube eu depois...) estavam incomodando e minaram o sentimento, a ponto inclusive dele se interessar por outra pessoa.
Ok, difícil. Bem ruim mesmo. mas vemos violência nessa descrição?!
Não, no máximo, sofrimento de um amor acabado.
Acabando aqui, eu ficaria numa deprê fudida, choraria os mesmos galões que chorei e logo poderia seguir em frente. E muito provavelmente, as perguntinhas elencadas acima não me afetariam de forma alguma, nem sequer fariam pensar.
Mas, não. Não acabou aqui.
Meu ex-marido deixou de me mar e fez questão de me culpar. Desqualificou mais de uma década de convivência. Me descreveu como um ser humano egoísta, fútil e interesseiro. Menosprezou minha carreira, minha dedicação a maternidade, meu corpo, a forma como eu faço sexo.
Usou tudo que sabia de mim pra me convencer de que o fato dele ter se desinteressado, se apaixonado por outra pessoa, cansado e etc... tinha relação direta com meu esforço sobre-humano para fazer da vida dele um inferno por mais de uma década.
Aqui eu sucumbi. E é aqui que as perguntinhas que insistem que eu devo voltar, ou que o certo é voltar pra isso aqui me deixam triste, indignada e revoltada.
Na primeira fase, transitei entre o acreditar e pedir perdão (afinal, ele sempre foi referência em gentileza e justiça, devia ter algo de razão naquilo tudo), e o pensamento desolador de que eu não conhecia aquela criatura que despejava todo aquele lixo sobre mim (afinal, ser arrastado por uma mulher terrível por mais de uma década não combinava com quem eu conhecia).
Fiquei mais de uma semana apenas reagindo ao mundo ao redor. Nesse tempo, ele apresentou uma amiga para o Teodoro (no primeiro final de semana de visitas) e todos ao redor me dizendo: "Ah olha aí! Sabia que tinha outra mulher envolvida!"
E eu só pensava: E daí????? Olhem pra mim, olhem pra issoooooo???!!!!
Não me importava se ele casaria na próxima semana, ou já estava casado na semana anterior. Meu interesse, fator de stress, de dor e sofrimento mais agudo era pensar: quem eu me tornei?? Eu não sei amar??? Como eu destruí, sendo egoísta, fútil e maquiavélica as coisas que mais amava no mundo??
Que tipo de sociopata me tornei por amor?? A casa onde morávamos, o filho que tivemos, que eu sonhei, planejei, batalhei pra ser lindo, pra ser amor, na verdade era produto de uma mente doente?????
E no meio desse looping, eu ainda tinha que responder para as pessoas sobre o novo relacionamento dele??? Vão a merda!!! Perguntem pra ele!!
Nesse momento eu tinha um par de olhinhos brilhantes me acompanhando. Teodoro fez poucas perguntas sobre a separação, ele quis saber se ia precisar sair de casa e se o papai traria ele de volta pra casa. Eu precisava dar conta disso.
A fase dois foi de pacificação, olhei para meu filhote e encontrei a resposta. Ele segurava na minha mão e me olhava com um amor profundo e límpido. Confiava em mim de um jeito puro.
Definitivamente eu não era um ser desprezível.
E no meio de tudo eu precisei me reencontrar, fazer as pazes com a minha história e entender o outro. Nesse momento entendi que ele optou pelo caminho mais seguro emocionalmente pra ele mesmo, atacou para se defender. Encarar as próprias falhas exige maturidade e generosidade num relacionamento que poucas pessoas são capazes. Eu mesma levei um tempo para entender as minhas, e uma delas foi a super expectativa que eu criei para o nosso relacionamento.
Em várias camadas de mim, foi crescendo a certeza de que não provoquei toda aquela violência. Meus erros não justificaram nenhum daqueles ataques a minha autoestima e ao meu caráter.
Levei um certo tempo pra entender tudo.
E se querem saber, não perdoei e acho que tenho esse direito. Posso entender, posso aceitar e devo viver com a escolha dele pro resto da vida, mas não sou obrigada a perdoar. Conscientemente ou não, ele escolheu me ferir para se proteger, usou tudo aquilo que uma vez criticou (inclusive o privilégio masculino) para sair do relacionamento "ileso". Isso não foi justo, nem comigo, nem com a nossa história. E isso não tem perdão.
Convivemos muito bem, dentro do necessário para manter o Teodoro seguro. É isso que importa.
Hoje vivo a fase cruzeiro. Fiquei apenas com aquele pesar de um amor acabado, de planos frustrados e só. Estou mais segura, entendi as minhas fortalezas e fraquezas. Reforcei uma crença antiga de que ninguém é perfeito e não perdi a fé no amor.
Isso quer dizer que estou a procura de um novo amor???? NÃO!
Mas, com certeza, sou um ser humano capaz de me entregar novamente a um grande amor.
A violência que sofri não vai me paralisar. Sigo acreditando que somos capazes de amar com olho no olho e respeito, e mais do que nunca sei o quanto o amor e um relacionamento são construídos para serem fortes, mas podem ser frágeis.
Então, quando me encontrar na rua me pergunta sobre meus projetos, elogia meu cabelo e minha disposição. Meu filho tem um pai ótimo, e meu ex-marido tá no lugar onde deveria ficar: no passado.
BJS!!!

















