Achar é o mais longe que podemos ir nesse universo repleto de segredos, sussurros, incompreensões, traumas, sombras, urgências, saudades, desordens emocionais, sentimentos velados, todas essas abstrações que não podemos tocar, pegar nem compreender com exatidão. Mas nos conforta achar que sabemos.
(Martha Medeiros)
Quem foi adolescente na década de 90 dificilmente passou imune a febre Guns and Roses, Skid Row e Nirvana.
Eu gravei em VHS o Rock in Rio sei lá de que ano só pra ver aquele magrelo do Axl kkkkkkk
Mas a minha tara era o Extreme, os irmãos de cabelos pretos e unhas pretas me deixavam alucinada!!! Levei vários dias pra conseguir gravar o clipe que passava de vez em quando num programa da Guaíba, se não me engano, no final da tarde: saía do treino correndo pra dar tempo de pegar o programa, colocar a fita no ponto e aquela trabalheira toda!!
Então pra celebrar a fase Rock and Roll uma balada romântica e mega clássico: More than words!
Bjs pra vcs que também sonhavam com os cabeludos!!!
Antes que Mamis e Papis protestem eles vão entrar na playlist!!! \o/
A questão foi escolher uma música para meus genitores. Muitas possibilidades...
A primeira foi Earth, Wind and Fire que é uma das únicas coisas que me lembro que tocava lá em casa quando eles eram casados (mil anos A.C....). O pai foi "DJ" no aniversário de 15 anos da mãe, na época em que para ser DJ bastava ser o dono da vitrola kkkkkk
Resultado: vários discos lá de casa tinham a assinatura HELUS (nome malandramente do meu papis, que se chama Hércio Luís ;)
Casa cheia de música sempre! Muito bom!!!!
Já ia tascar um September quando me lembrei de uma coisa mais marcante: Mamis lavando roupa no tanque ao som de Alcione!
Desconfio que ela descontava as amarguras do coração nas pobres roupas kkkkkk
Dava pra notar quando ela tava na bad só pelo volume da Marrom e pelo desabafo no refrão: MEU VÍCIO É VOCÊÊÊÊÊÊÊÊÊÊÊÊ, MEU CIGARROOOOOOOO É VOCÊÊÊÊÊÊÊÊÊÊÊÊ.... se o "eu te bebo, eu te fumo" viesse acompanhado de um olhinho fechado pode saber que tinha sofrência na área.
Desconfio que "Eu te bebo, eu te fumo" é o melhor refrão de todos os tempos!!!!
QUEM NUNCA NÉ NAUM?????
Se for pra sofrer que seja com o vozeirão da Alcione!
Mas a campeã de todas é Minha Estranha Loucura!
QUE LETRA SOFRIDA GENTEMMMMM
E escolhi um vídeo dela no Chacrinha toda trabalhada no brilho pra dar glamour pra esse sofrimento todo!
Tá na bad? Clica aí, aumenta bem o som e sofre amigx!
Minha estranha loucura é correr pros teus braços quando acaba uma briga.
Te dar sempre razão e assumir o papel de culpada bandida
Ver você me humilhar e eu num canto qualquer, dependente total do seu jeito de ser
Minha estranha loucura é tentar descobrir que o melhor é você!
Um mês se passou desde que tomei o maior pé na bunda que
tenho notícia...
É...
Um mês....
Tenho me virado relativamente bem.
E me deu até vontade de escrever aqui.
Ver um sonho ser destruído é bem doído, mas tento focar no
fato de que no último ano consegui manter 40h de sala de aula, um novo mestrado com uma carga horária desumana e meu filho não se sentiu abandonado. Ele é a parte mais frágil nesse processo
e ficou intacto, ele até sentiu minha falta, mas não se sentiu abandonado. E esse é um bom motivo pra seguir.
Não é fácil pra todo mundo,
mas eu e ele sobrevivemos. Ele se sente amado, tanto que está encarando a
separação de papai e mamãe de forma muito tranquila. O amor vence. Se não
resiste, não é amor.
Mas é necessário viver a fossa. Sentir o coração doer e aos
poucos fazer as pazes com ele.
Eu, particularmente, acho que estou batendo um recorde, um mês se passou, um mês longo pra mim, mas é só um mês, e já estou me sentindo saindo da
escuridão.
E uma das armas para se passar por uma fossa é a música.
Eu tenho vivido uma fossa musical.
Na alegria e na tristeza todo mundo já passou pela
experiência de escutar uma música e pensar “Ah para! Eu escrevi essa letra e
não me lembro???”.
Enquanto ainda éramos “nós”, nós tínhamos músicas escolhidas
para o casamento, trilhas cantadas ao pé do ouvido e publicadas no Facebook
(até Camisa 10 foi dedicada pra mim, que ironia...), tínhamos até uma playlist
que embalou o nascimento do Téo. Então nada mais justo do que fazer uma
playlist do fim.
E como viver o luto é necessário, decidi comemorar o meu
luto publicando a minha playlist da fossa.
Primeira coisa a declarar: sou sortuda. Sim, viver uma fossa
monstro no mesmo mês em que a Adele lança um novo disco é de cortar os pulsos!
E o pior é ouvir as músicas “animadinhas” do novo disco e pensar “Porra! Até a
rainha do melodrama tá superando, e eu aqui arrastando corrente!”.(Então antes da playlist digita "Adele 25" no Google, curte o disco e chora um pouco.)
E não poderia ser com outra o início da playlist da fossa:
Adele, "Dont you remember" que marcou o início da confusão toda....
"When will I
see you again?
You left
with no goodbye, not a single word was said
No final
kiss to seal any sins
I had no
idea of the state we were in
I know I
have a fickle heart and bitterness
And a
wandering eye, and a heaviness in my head
But don't
you remember, don't you remember?
The reason
you loved me before
Baby please
remember me once more
When was
the last time you thought of me?
Or have you
completely erased me from your memories?
I often
think about where I went wrong
The more I
do, the less I know"
"Quando vou ver você de novo?
Você partiu sem um adeus, nem uma única palavra foi dita
Nenhum beijo final para selar qualquer pecado
Eu não tinha ideia do estado em que estávamos
Eu sei que tenho um coração inconstante e amargurado
Fui pega de surpresa, e Adele entendeu isso bem. Não sou
santa, talvez até compartilhasse sem perceber da mesma sensação de infelicidade
que ele, mas desistir nunca foi do meu feitio. Eu não esqueci das razões de amar. Mesmo vendo alguns dos nossos
problemas eu estava disposta a tentar.
Fase confusa essa de entender um outro ser humano que a
gente supunha conhecer... Não sou criança, algumas coisas que ouvi até mereci,
mas algumas me lembrou o Djavan
Entendi a mensagem! Mais uma tentativa, corre atrás mulher! Não dá pra entregar
os pontos assim!
Se há amor ele virá a tona!
Esperanças renovadas é hora de agir.
E o balde tem água mais gelada agora do que antes.
Não há possibilidade de conversa, decisão tomada.
E mais: culpas distribuídas.
Ah... Bono como tu tem razão.....
Is it
getting better
Or do you
feel the same?
Will it
make it easier on you now
You got
someone to blame?
[…]
Did I
disappoint you
Or leave a
bad taste in your mouth?
You act
like you never had love
And you
want me to go without
Está ficando melhor
Ou você sente o mesmo?
Será que vai torná-lo mais fácil de você agora
Você tem alguém para culpar?
[...]
Eu te decepcionei?
Ou deixei um gosto ruim em sua boca?
Você age como se nunca tivesse tido amor
E você quer que eu vá sem
One – U2 (versão com a Mary J Bligde pra facilitar o
derramamento de lágrimas)
Peraí.... essa merece ter a letra toda aqui....
Is it getting better Or do you feel the same? Will it make it easier on you now You got someone to blame?
You say One love,one life When it's one need In the night One love We get to share It leaves you, darling If you don't care for it
Did I disappoint you Or leave a bad taste in your mouth? You act like you never had love And you want me to go without
Well, it's too late Tonight To drag your past out Into the light
We're one But we're not the same We get to carry each other Carry each other One
Have you come here for forgiveness? Have you come to raise the dead? Have you come here to play Jesus To the lepers in your head?
Did I ask too much? More than a lot? You gave me nothing now It's all I got
We're one But we're not the same Well We hurt each other Then we do it again
You say Love is a temple Love is a higher law Love is a temple Love is a higher law You ask me to enter But then you make me crawl And I can't be holding on To what you got When all you got is hurt
One love One blood One life you got To do what you should One life With each other Sisters, and my brothers
One life But we're not the same We get to carry each other Carry each other
One... one Uh, uh, uh, oh Make, make it, make it Ahh, ahh, oh Ahh, ahh And one Ahh, ahh... oh
Um mês depois, cacos colados é hora de seguir. Fazer novos
planos. Quem me conhece pessoalmente sabe que adoro planos, então eu tinha muitos
pra nós.... refazer tudo vai dar trabalho, mas tem que ser feito.
E vem chegando aquele momento em que a gente começa a se dar
conta que o fim estava próximo....
Mas será que eu tinha
como ver? Essa será a dúvida da segunda fase da fossa.
Eu quando me senti
infeliz abri o coração e encontrei uma palavra de encorajamento “Vai passar
Amore, é só uma fase.”, tinha lógica ficar paranoica com o fim do
relacionamento?
Será que me faltam alguns itens de mocinha-romântica-de-novela?
Eu acreditei, ignorei os sinais e me fudi.
Pra encerrar esse post ELA,
a Musa Suprema, Dona do Universo: Beyoncé!
É miguxa eu sou uma “Broken-hearted
Girl” e mereço vídeo de divância na sofrência!
Hoje acordei com vontade de escrever aqui. Eis-me a escrever!
Sobre o quê? Não sei! kkkkkk (Essa é a vantagem de ter um blog pessoal!)
Brincadeiras a parte, estou há um tempo organizando umas quase-resenhas de filmes e livros que andei assistindo e lendo em 2014. O primeiro semestre foi bem produtivo, por assim dizer, mas em agosto comecei o novo mestrado e o meu tempo que já era escasso sumiu!
Minha paixão por Jane Austen me levou aos seriados e filmes inspirados nas obras dela e aí conheci Elizabeth Gaskel, li Norte e Sul e vi o seriado, depois comecei a perseguir os galãs e aí.... UFA! Em seis meses foram 18 filmes/seriados de época!
Como eu fiz isso? Sou notívaga, e depois de um dia inteiro de trabalho e correria eu me dava uma meia hora pra assistir um episódio pelo menos, e no caso dos filmes as madrugadas de sexta. Parece cansativo, né? Mas no meu caso funciona como um descanso. Vai entender!
Nesse ano quero ver se coloco aqui as minhas impressões sobre cada um deles, começando é claro pela musa Jane Austen! Fiz uma listinha pra vocês acompanharem:
Orgulho e Preconceito (1 filme e 1 seriado)
Razão e Sensibilidade (1 filme e 1 seriado)
Nortanger Abbey (filme)
Persuasão (2 filmes)
Emma (3 filmes e um seriado)
Mansfield Park (2 filmes)
Jane Eyre (2 filmes e 1 seriado)
North and South (seriado)
Becoming Jane (filme)
Miss Austen regrets (filme)
Desejo e Reparação (filme)
Cranford (seriado)
Daniel Deronda (seriado)
Great expectations (seriado)
Litlle Dorrit (seriado)
The tenant of Wildfell Hall (seriado)
Wives and Daughters (seriado)
O Morro dos Ventos Uivantes (filme)
Pretendo escrever algo sobre cada um deles, e também voltar a assistir a minha lista nesse ano (tentativa de não enlouquecer com o mestrado). Copiei de um desses sites de listas de filmes uma chamada "150 best period movies", tirei 4 que não tenho vontade nenhuma de ver e pretendo ver todos! Como já vi alguns vai ser molezinha, além de um prazer!
Agora em janeiro já vi Retorno a Cranford e Fingersmith então cheguei a 20!
Outra ideia é ler Dickens, acabei vendo Little Dorrit por causa do meu Mr. Darcy preferido (Matthew Macfadyen) e Great expectations por causa da Gaskell (que era amiga do Dickens e cita ele no livro dela que eu li), mas sigo achando tudo meio estranho. A solução? Ler o livro ;-)
Bom, acho que tá bom pra promessas de ano novo, né?
Uma semana sem a Vó. Provavelmente daqui uma semana já terei parado de contar, a vida segue, num fluxo maluco. Chega a dar tontura. Paro de contar, não de lembrar. Na memória, no coração e no exemplo ela é marca indelével. Trago comigo a força e a beleza daqueles que me fizeram, ou melhor, daquelAs que me fizeram o que sou. Por isso elas não morrem.
Sofro de um mal que acomete muitas pessoas: sempre acho que "antes" era melhor. Talvez essa síndrome do passado perfeito tenha me levado a carreira de historiadora. Talvez.. O certo é que consciente da minha "doença" busco sempre relativizar as coisas. Sempre que penso, mas antes isso era melhor, me pergunto será mesmo??
De tanto fazer isso, tô me curando e ando meio cansada do discurso "no meu tempo era melhor". Acho realmente que muitas coisas mudaram pra melhor, vou dar um exemplo que adoro.
Sempre que passo na frente de uma escola no horário de entrada ou saída dos alunos me chama muito a atenção os adolescentes se cumprimentando com beijinhos no rosto e abraços. Não interessa se são guris e gurias. Sempre tem um grupo em que o guri chega e tasca beijos nas bochechas das colegas gurias sem medo. (e vice e versa também rola)
No meu tempo de colégio isso era algo impensado. Tentei me lembrar de quantos beijos no rosto dei dos meus melhores amigos (guris) nos 7 anos que passamos juntos e só me lembro de um ou outro nos aniversários, e isso já no Segundo Grau (leia-se Ensino médio ;-). Passei uma vida inteira jogando basquete com uma turma de guris e gurias com os quais nunca foi "permitido" um afago e um carinho.
Por quê?
Ora, por que....
Porque.....
Não tem um porquê. São vários porquês. O que me chama atenção é que a minha geração que hoje tá na casa dos 30 e se acha "moderninha" se esqueceu que algumas coisas melhoraram sim.
Fiz 31 anos na semana passada, maridão me deu de presente uma bici (bicicleta, traduzindo pra quem não é o RS) e isso me fez voltar no tempo, e não só porque andar de bicicleta tem cheiro de infância, mas me lembrei o quanto esse veículo fez parte da minha vida sempre.
Cresci em Osório, cidade pequena, dizem a "Terra dos Bons Ventos", sim, venta muito por lá. O único meio de transporte possível por lá era a bici. Hoje até se vê mais carros nas ruas e me disseram que até ônibus tem (na minha época era um chamado "Circular" e que fazia isso exatamente...), mas entre as décadas de 1980 e 1990 a bicicleta era o meio de transporte por excelência.
Lembro com nitidez da minha primeira bicicleta, era dourada, devia ser aro 20, eu devia ter uns 7 anos. Era de segunda mão, mas era uma Caloi. Na época tinha aquela propaganda "Não esqueça da minha Caloi" e obviamente essa era "A" bicicleta. Lembro exatamente do dia: era natal, a bici tava em cima do sofá (um sofá preto lindo...) num canto atrás da porta coberta por um pano. Cada vez que revejo essa cena na memória revivo a emoção de ver aquela bici... Não importava que era de segunda mão, que não veio na caixa e tava até meio "ralada". Minha mãe me comprou uma bici! Todinha minha!!!!
Foi com essa bici que uma vez "fugi de casa" pra casa da minha tia Emídia que ficava há duas quadras de casa. Foi com essa bici que meu vô me ensinou pra quê que serviam os pedais e que tinha que passar óleo na correia. Não lembro que fim teve essa bici. Minhas lembranças com ela acabam aqui. Mas são muito boas lembranças.
Lembro também da Caloi 10 que meu pai tinha. Achava linda aquela bicicleta, tinha um pneu fininho e um guidão que parecia um bode. Hoje re-editaram essa bici e custa uns 3 mil!!! (Ô pai, a gente tinha que ter guardado! kkkkk)
Tive outras bicicletas. E também odiei bicicletas por um tempo.
Minha avó materna tinha um cavalão de ferro enorme, uma bici toda feita de pedaços de outras bicis e cheia de borrachas feitas com câmara. Morria de vergonha dela!!!! Ela andava sempre carregando lenha, chás, matos e ervas de toda a espécie e fazia questão e "sem querer" passar na frente da escola e insistir em me dar carona!! Eu muitas vezes andei empoleirada num toco de árvore ou submersa em mato em cima daquela bicicleta. Por ironia a Vó tava empurrando a bici quando foi atropelada (ou tava a pé? Acho que apaguei essas coisas doídas da memória). Hoje sinto saudade.
Na adolescência preferia caminhar mais de 2km até a escola, mas não ia de bicicleta. Sei lá porque, desconfio que eu tinha vergonha. Bobagens de adolescente que com o tempo passa....
Bobagens a parte era também difícil andar de bici em Osório, já disse pra vocês que é a Terra dos Bons Ventos eu só não disse que esses ventos são bons e velozes!!! Nos dias que tinha que ir contra o vento na Costa Gama era de matar!!!
Foi num baita tombo de bici, descendo o Morro da Borússia que experimentei a solidariedade dos bons amigos. Lembro até hoje do Atílio me carregando toda ralada e doída de volta pra casa e do Cabrito (não sei o nome dele!) carregando minha bici toda arrebentada e depois "endireitando" ela pra mim.
Quando me mudei pra Porto Alegre logo nas primeiras semanas senti falta da bici. Cada vez que pegava um ônibus e descia umas duas ou três paradas depois eu pensava "Putz, de bici ia ser num instantinho!". Cheguei a comprar uma bici, uma Caloi Terra (olha a Caloi de novo...), mas não rendeu muito. Morava no alto da Oscar Pereira, quem conhece POA sabe que é a lomba mais íngreme da cidade!!!! Cheguei a ir pedalando até o Campus do Vale algumas vezes, mas a volta era sempre uma tortura...
Um dia me apertei de grana (um dia? que ironia...) e vendi a bici. Chegou a dar dó.
Mas agora tô feliz de novo!!! No dia do meu aniver peguei a bici e dei meu primeiro passeio com o Téo! Foi ótimo! Olha aê minha magrela:
Sim, é uma Caloi ;-)
O Téo adorou o passeio, até chorou pra descer! Hoje chegou o capacete dele e vamos voar as tranças por aí!!!!
De quebra ainda descobri um bicicletário bem bacana em Canoas, no Conjunto Comercial (com segurança e tudo!) que até cadastrei no Vá de Bici! que tem um Mapa dos Bicicletários de Porto Alegre e região.
Hoje andar de bicicleta tá na moda, é ecológico, é sustentável. Gosto dessa ideia também. Mas devo confessar que andar de bici tem um gostinho de infância, de um "tempo bom que não volta nunca mais"....
Não sei se comentei aqui, mas enfim. Pra quem não sabe sou apaixonada por basquete. Jogo desde os 12 anos e só pretendo parar no caixão. Atualmente a frequência não é a desejada, mas sigo amando esse esporte.
Pouco depois da Seleção Brasileira Masculina garantir vaga nas Olimpíadas, depois de 16 anos de jejum, eu vi uma reportagem que me deu vontade de escrever aqui: porque será que gosto tanto de basquete?
Na real, poderia estar falando aqui da magia do esporte, de forma geral, mas depois dessa reportagem, tenho que puxar o assado pro meu lado....
A manchete é: "Jovem carente dá a volta por cima no basquete com 'adoção' de professoras"
Destaquei dois trechos do texto, mas o vídeo é emocionante e recomendo! "João Vitor, 12 anos, poderia ter sido mais uma criança sem futuro se não fosse o trabalho de duas ex-jogadoras de basquete. Há três anos incluído em um projeto social, que o tirou do Morro de São Carlos, no Rio de Janeiro, o jovem passou a morar na casa de Ana e Márcia, veteranas no esporte, e tem sido destaque nos torneios que participou, como o Estadual Carioca, em que defendeu o time sub-13 do Tijuca Tênis Clube" "O projeto de vida dele é a mudança de vida, basquete, mas mudança de vida em primeiro lugar, mudança de atitude, saber que ele pode, pode crescer, ser melhor a cada dia – explica Márcia sobre a volta por cima do menino."
Ver essa reportagem me fez voltar no tempo e lembrar da minha infância e adolescência dedicada a um esporte, ao basquete. Não fui para a WNBA e nunca fui jogadora profissional. E esse definitivamente não é o maior resultado que o envolvimento no esporte me trouxe.
Na cidade onde "me criei" (Osório) as opções para os jovens eram escassas, já na década de 90. Participar de uma equipe de basquete, ter horários de treino e campeonatos no final de semana de saída já diminuíram as minhas possibilidades de estar "vagabundeando". Não tive uma infância abaixo da linha da pobreza, mas ainda assim as possibilidades "do mau" também estavam ali, me olhando, notadamente drogas e álcool. Aos 14 anos tudo que se quer é "aproveitar", e eu mesmo fazendo parte de um projeto esportivo tive meus porres e loucuras, imagina se não estivesse??? Talvez estivesse entregue ao mundo das drogas, vai saber??
Lembro até hoje da minha primeira participação num campeonato, foi em 1993, o jogo era em Porto Alegre, uns 96km de Osório, ida de manhã e retorno a tarde, o que não impediu que eu levasse uma mochila imensa e um estoque de comida suficiente para uma guerra nuclear! Lembro até hoje da emoção de entrar no ônibus e ir sozinha (leia-se sem minha mãe) pra algum lugar! Nunca vou esquecer do lugar (hoje sei que o Centro Vida na Baltazar) e dos jogos, foi tudo mágico! Aos 12 anos eu tinha que ter responsabilidade suficiente para não perder o ônibus, cuidar da minha própria mochila, me manter atenta ao grupo, e, principalmente obedecer os adultos (técnico e assistentes) presentes. Coisas muito simples, banais até, mas que fazem toda a diferença no futuro.
Passei a adolescência numa paixão doida pelo basquete! Tinha até um caderno onde anotava as jogadas, não faltava treino por nada, e quando minha mãe tentou me castigar proibindo de ir fiz greve de fome!!!!!!
O que eu quero dizer com tudo isso é que os esportes, notadamente os coletivos como o basquete, tem um benefício que é pra toda a vida. No meu caso (e no caso do João Vitor aí da reportagem) me permitiu passar por uma fase da vida onde as possibilidades de tu te desviar do caminho são muitas, coloridas, maravilhosas e atraentes, sem perder o foco. De aprender a conviver com pessoas diferentes e respeitá-las, e, principalmente, respeitar e admirar os mais velhos, como aqueles que sabem mais que nós pelo simples fato de terem vivido mais. Algo que hoje em dia se resume a "minha vó não sabe mexer no celular, logo não sabe nada".
Sem dúvida, o maiores benefícios que tive foi aprender a trabalhar em equipe, aprender a perder, a ser solidária, respeitar as regras, respeitar as pessoas, saber que sou capaz e, principalmente, a respeitar e amar o meu corpo (a ponto de não intoxicá-lo).
Acho que tudo isso ainda alimenta minha paixão pelo esporte. A adrenalina de jogar, de competir, correr, voltar a infância... Quem já participou de algum jogo sabe bem do que estou falando!
Em homenagem a esse momento catei uma foto de um álbum. Não fui atleta profissional, mas participei de dois campeonatos brasileiros representando o RS (#orgulho), a foto abaixo é da edição de 1996, realizado em Curitiba. Perdi o contato com muitas das gurias que dividiram essa fase maravilhosa comigo, algumas seguiram carreiras esportivas, como professoras, técnicas e etc, e outras, como eu, trilharam outros caminhos. Mas tenho certeza que levamos para nossas vidas uma boa lembrança e muitas virtudes cultivadas nessa fase.
Da esquerda para direita
De pé: Celso Gomes (técnico), Camilinha, Kissa, Karen, Rochele, Ana Carolina, Kely, Álida (carinhosamente chamada de Tia Álida até hj, assistente)
Abaixadas: Ednara, Débora, Danúbia, Cláudia, EU, Ana Clara.